A sério que o desemprego foi a “prioridade”?!

Opinião de Paulo Teixeira

TeixeiraCom o título de “PS volta a eleger a criação de emprego como prioridade nos Açores”, saía, no passado dia 12 do corrente mês, um artigo no jornal online “+Central” que me fez pensar e repensar sobre o significado da palavra “prioridade”. Sobretudo porque diz o artigo que aquela era já a prioridade do PS em 2012.

Já no outro dia, e naquele mesmo jornal, saía um artigo intitulado “Vasco Cordeiro repete compromissos de 2012 para a Agricultura dos Açores”. É caso para dizer: “Vira o disco e toca o mesmo”.

Para mim, “prioridade” quer dizer algo a que dedicar toda a atenção e meios para resolver. Com esta “prioridade” nos últimos quatro anos, como pode o desemprego estar pelos caminhos que anda e não estar resolvido? Como foi possível atingir 18%?

Como é possível, no fim deste mandato, estarmos com números parecidos com os de 2011? Onde está a evolução? Mais parece uma ilusão criada, aumentando o desemprego para agora baixar, porque não há capacidade de resolver…

Na verdade, 20 anos é muito tempo.

Se isto é dar “prioridade”, então devemos estar mesmo preocupados. Porque, se não fosse uma “prioridade”, nem dá para imaginar…

Certamente que dirão que a culpa foi externa. Tal como foi externa a imposição da abertura do espaço aéreo às low-cost, situação que contribuiu e está a contribuir para o aumento do fluxo turístico aos Açores e – esse sim – tem contribuído na realidade para diminuir o desemprego.

Outra franja vem dos programas de ocupação de desempregados que, por estas épocas, correm com fluidez. Trata-se de emprego precário e temporário, que se arrasta e que leva muitos a emigrarem e migrarem, contribuindo para o despovoamento de zonas mais críticas como tem sido a do Concelho da Calheta, que ocupa o topo das estatísticas sobre maiores perdas de população entre os Concelhos dos Açores.

Há que repensar os programas de ocupação de desempregados, de forma a assegurar outra estabilidade às famílias, alargando a sua vigência com formatos de duração média enquadrados em contextos que, mais do que disponibilizar mão-de-obra barata, possibilitem a aquisição de ferramentas e competências para surgimento de empresas de carácter familiar que, durante 500 anos, foram o alicerce social e económico da nossa terra.

 

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