A menina baila? — Opinião de Inês Sá

InesUma das consequências desta azáfama que nos cerca, normalmente em período pré-eleitoral, é que no meio de tanta correria, de tantas promessas, de tanta maledicência, no meio deste duelo de forças que quase sempre nos confunde mais do que aquilo que esclarece, o mundo pula e avança e outras coisas vão acontecendo, com implicações na vida do comum dos cidadãos, não tendo particularmente neste período de campanha, o eco que justamente merecia.

A titulo de exemplo, realço que ainda na semana passada foi notícia em vários meios de comunicação social a disponibilização na internet da plataforma “REDA – Recursos Educativos Digitais e Abertos, onde estão à disposição cerca de 350 recursos pedagógicos, além de ligações a sítios e páginas com conteúdos ou propostas didáticas”.

Dir-me-ão os mais ressabiados, uns com mais outros com menos razão, que isto é coisa pouca, ou até uma gota no meio de um oceano, onde tanto caminho falta percorrer no campo da educação. Mas para mim, que sou uma esperançosa nata, que acredito sempre que é possível fazer melhor, que acredito em qualquer que seja o investimento feito nesta área, durante anos totalmente ignorada, fico com a sensação de que uma plataforma como esta, criada por uma equipa de seis professores sob a tutela da Secretaria Regional da Educação, é parte integrante de um processo de reconstrução do ensino que urge fazer nesta Região, que merecia ter recebido uma atenção diferente, até como incentivo àqueles que por motivos vários, preferem manter-se à margem deste processo.

Francamente assusta-me a pacatez daqueles que sempre esperam grandes transformações ou soluções imediatas, para problemas de uma fragilidade e abrangência incalculável, até porque não raras vezes são os mesmos que tudo fazem por desvalorizar, aparentes pequenos progressos, que se englobados numa estratégia consistente, serão provavelmente promotores de grandes transformações.

Neste mesmo contexto, por ironia do destino, no passado mês de agosto, numa festa tradicional na ilha do Pico, uma das pessoas presentes chamou-me a atenção para um grupo de pessoas que estava na mesa ao nosso lado. Não fosse a mesma lucidez com que no dia anterior descobrira uma individualidade por aquelas bandas, eu teria duvidado que um dos brindados com o delicioso caldo de peixe seria o atual Ministro da Educação. Cumprindo as tradições, seguido do caldo, é quase obrigatório bailar uma Chamarrita. O dito senhor começou por observar, até porque estava de férias, totalmente à civil e não esperava ser reconhecido, não tendo resistido em entrar na roda, assim que a música permitiu. Já integrado na roda, pergunta-me, com um ar totalmente inseguro: “E então, acha que sou capaz, ou é muito difícil?” De imediato lhe respondei: “Depois do que o governo anterior a este fez à educação, por pequena que seja a medida em sentido contrário, certamente que fará maravilhas!”. Ele esboçou um sorriso e respondeu-me: “Não, não é disso que falo, perguntava-lhe era se sou capaz de bailar a Chamarrita!”.  Claro que fiquei a pensar que andava a consumir educação e politica em excesso, o que poderá ser em alguns momentos um defeito, mas na maioria deles apenas característica do feitio.

Em suma, fazendo uso do slogan do momento, proferido pelos mais diferentes protagonistas do momento, “o caminho faz-se caminhando”, e são pequenos progressos como este agora levado a cabo pela tutela da Educação, que farão, a seu tempo, a tão desejada reforma educativa!

Termino, fazendo um apelo àqueles que me dão o privilégio de lerem estes meus desabafos: Dia 16 de outubro, não deixem de ir votar. Votem branco, votem nulo, votem mais à esquerda, ao centro, ou mais à direita, mas votem!

 

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