A banhos… — Opinião de Maria do Céu Patrão Neves

Em Junho assinala-se o início da época balnear o que em ilhas ganha um relevo particular, quer para quem cá vive – pela relação estreita que necessariamente tem com o mar –, quer para quem nos visita – que vê na intimidade entre o mar e a terra o ex libris das ilhas, esperando sempre muito do que lhe pode oferecer.

Este ano temos 70 águas balneares aprovadas oficialmente, o mesmo número que no último ano; entre as quais 37 com bandeira azul, o que constitui um acréscimo de 3 em relação ao passado. Não é mau, mas podia ser melhor…

Em todo o caso, tem-se visto, aqui e ali, algum investimento ao nível das estruturas e equipamentos de apoio nas praias, nas acessibilidades, incluindo a ornamentação, e na qualidade do areal… A distinção da “bandeira azul” exige o cumprimento imperativo de 23 dos 27 requisitos normativos estabelecidos em domínios tão diversos como o da “Informação e Educação Ambiental”, da “Qualidade da Água”, da “Gestão Ambiental e Equipamentos” e da “Segurança e Serviços”. Há, pois, ainda muito investimento e trabalho governamental e autárquico a ser feito na nossa costa e particularmente nas praias.

E, todavia, há também muita dedicação à qualidade das nossas praias que tem de ser desenvolvida quotidianamente por quem as frequenta, não exigindo orçamentos ou contractos…, mas tão somente civismo por parte de todos e cada um de nós… Quantas vezes deitadinhos na nossa toalha a pensar em nada ou dormitando fomos sobressaltados por aquela bola que alguém deixou escapar ou simplesmente pela areia que a pessoa do lado sacudiu energicamente da sua toalha; ou então não conseguimos descansar, nem ler aquele livro que levámos porque à nossa volta alguém decidiu pôr a sua música preferida (raramente coincidente com a nossa!) num volume sem fronteiras, enquanto outro fuma sem reparar que a brisa traz o fumo directamente para nós…

Sem encontrar tranquilidade na areia, decidimos ir relaxar para o mar. Mas temos então de afastar aquela embalagem de gelado a flutuar na água que alguém deixou voar, a par de uma ou outra beata que alguém antes enterrou na areia como se não a vendo tivesse deixado de existir; e afastamo-nos nós também daquele banhista que se assoa vigorosamente na água em que nos procuramos refrescar…

Afinal, talvez já seja tempo de irmos antes disfrutar da esplanada… O local é óptimo, a vista magnífica e mandamos vir uns petiscos com uma bebida gelada. Entretanto ouvimos relatos da vida privada de quem fala ao telemóvel como se o aparelho não existisse para cobrir a distância do destinatário. Ficamos com a impressão da nossa mesa ter ficado subitamente sobrelotada e lá nos vamos dirigindo para o carro. Pedimos aos veraneantes cansados, que se apoiavam nas portas para limpar a areia dos pés, que se afastem para podermos entrar e regressamos a casa depois de um dia de praia. Não é mau, mas podia ser melhor…

 

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