40 anos de Autonomia: Oposição critica políticas socialistas dos últimos vinte anos

Paulo EstêvãoNa sessão solene evocativa dos 40 anos da Autonomia, que hoje decorreu na sede da Assembleia Legislativa dos Açores, na ilha do Faial, os partidos da oposição criticaram as opções políticas dos socialistas, nos últimos vinte anos.

Na primeira intervenção da tarde, Paulo Estêvão, do PPM/Açores, apontou que “estes 40 anos de autonomia política e administrativa trouxeram inegáveis vantagens ao povo dos Açores”, mas apontou as assimetrias no desenvolvimento ou “a gritante falta de alternância democrática nos sistemas autonómicos insulares”.

Pelo PCP/Açores, Aníbal Pires referiu que “não estamos satisfeitos com os resultados obtidos. A nossa ambição vai mais longe e está alicerçada num projeto de futuro para os Açores que resolva algumas das crónicas dificuldades estruturais da nossa economia, como por exemplo a sua excessiva dependência externa”, apesar de admitir “ser inegável que a autonomia regional possibilitou um desenvolvimento assinalável”.

“A livre administração dos Açores pelos açorianos, a inaugural consigna, permitiu à nossa região e ao seu povo ganhos de cidadania, sociais, económicos, políticos e culturais capazes de transformar 40 anos temporais em 400 anos existenciais”, referiu Zuraida Soares, única representante do BE/Açores, considerando ser “indiscutível” que os açorianos têm “muitos motivos para comemorar”.

Já a direita açoriana demonstrou grandes reservas relativamente ao futuro imediato, considerando que está condicionado pelo passado mais recente.

Artur Lima afirmou que, apesar de “não ter dúvidas” que a Autonomia “foi um passo de gigante para o desenvolvimento muito necessário” da região, “chegados a este dia, reconhecidas as mais-valias da autonomia, temos todos a obrigação de refletir sobre o regime autonómico 20/20”.

“Vinte anos de governação PSD e vinte anos de governação socialista, apesar de todas as políticas e medidas tomadas serem bem-intencionadas, podem é não ter sido as mais adequadas e, em alguns casos, foram até erradas”, frisou, admitindo que “talvez o rumo tivesse sido outro, se a dupla 20/20, em vez de pseudo-reformas da autonomia (…) tivesse tido políticas mais assertivas e mais eficazes”.

Para Duarte Freitas “é tempo de olhar o futuro”.

“No fundo, queremos uma Autonomia que não se detenha na política”, salientou o social democrata, acrescentando que “Autonomia tem de ser sinónimo de desenvolvimento social, cultural e económico. A nossa batalha autonómica já não se confina ao Terreiro do Paço. A nossa luta, ao fim de 40 anos de autonomia, está também em dar autonomia aos sujeitos da autonomia, a todos os açorianos”, considerou, concluindo que “o Governo é dos Açores, mas os Açores não são do Governo”.

Pelo partido que suporta o Governo Regional, Berto Messias entende que Portugal “seria muito menor, seria pior, sem as suas regiões autónomas”.

“Não confundimos cooperação com subserviência, nem solidariedade com desresponsabilização do Estado nas suas obrigações para com os Açores”, salientou o deputado, para acrescentar que a região não protagoniza uma autonomia reivindicativa, mas antes afirmativa, “evidenciando, todos os dias, que o país tem muito a ganhar com os Açores e com as mais-valias” que as suas especificidades e localização garantem à projeção de Portugal no mundo.

 

 

 

 

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